Levantou a cabeça e perscrutou o ambiente, tentando
identificar o barulho do portão da garagem do prédio, o motor do Fusca ou o
ruído das engrenagens do elevador, todos sinais da chegada iminente dos donos.
Nada, tudo quieto. Só um ou outro carro passava lá embaixo, na rua.
A salsicha deitou a cabeça de novo e tentou
dormir, mas não conseguiu. Agora era só uma questão de tempo... Quanto? Ah,
como era difícil isso de tentar prever quando ou quanto as coisas demorariam
para acontecer... O tempo era mesmo uma coisa muito confusa.
De um salto a cachorrinha levantou, sacudiu as
orelhas e desceu do sofá, caminhando lentamente pelo corredor, as patinhas
ressoando uma de cada vez ao contato com o assoalho laminado de madeira, no
rebolado característico dos cães de pernas curtas.
Sem olhar para o lado, passou direto pelo quarto de
hóspedes, sem coragem para entrar, chegando à sacada do quarto do casal. Com a
cabeça entre as grades, tentou enxergar algum sinal dos donos, sem sucesso.
Nada a fazer, só esperar... Bom, melhor esperar no fofinho, então.... Voltou para o sofá da sala e se deitou, com os olhos fechados. O sono quase chegava quando o estrondo seco do elevador começando a se mover disparou uma corrente elétrica pelo corpinho alongado. São eles! E agora? Melhor fingir que não aconteceu nada e ficar quieta...
Nada a fazer, só esperar... Bom, melhor esperar no fofinho, então.... Voltou para o sofá da sala e se deitou, com os olhos fechados. O sono quase chegava quando o estrondo seco do elevador começando a se mover disparou uma corrente elétrica pelo corpinho alongado. São eles! E agora? Melhor fingir que não aconteceu nada e ficar quieta...
De olhos arregalados, a salsicha escutou o ruído da
chave introduzida na fechadura, o ferrolho girando e a porta abrindo. Levantou
a cabeça e viu o dono entrar na casa, encostar a porta e jogar a mochila no
sofá.
“Lena... Leninha... Oi, Lena!”, chamou.
A cachorrinha permanecia imóvel, com os olhos bem abertos, debaixo do cobertor. O dono acendeu a luz, aproximou-se e acariciou suavemente a cabeça e as orelhas da salsicha, que retribuiu com duas lambidas delicadas nos dedos dele.
Até aqui, tudo bem...
A cachorrinha permanecia imóvel, com os olhos bem abertos, debaixo do cobertor. O dono acendeu a luz, aproximou-se e acariciou suavemente a cabeça e as orelhas da salsicha, que retribuiu com duas lambidas delicadas nos dedos dele.
Até aqui, tudo bem...
Ele levantou e seguiu pelo corredor, entrando no
quarto de hóspedes e depois no banheiro, ligado ao cômodo. Escutando os passos,
Lena se encolheu, os olhos fechados, a mandíbula travada. O horror...
“Lena!”, o dono gritou, lá do banheiro.
Ai, ai, ai... A cachorrinha suspirou, já se levantando.
No banheiro, o cesto de lixo estava no seu lugar, só
levemente destampado, o suficiente para ser esvaziado completamente da maçaroca
de papel higiênico usado, agora espalhado pelo chão.
“Lena, de novo!”, gritou o dono, batendo a mão com força
na porta do banheiro.
Voltou para a sala e olhou fixamente para a cadelinha, imóvel, no chão, já com a cabeça e as orelhas baixas, o corpo curvado, quase rastejando.
Eu não queria... Eu nem sei por que fiz isso... Desculpa... Se ele pudesse me ouvir...
Voltou para a sala e olhou fixamente para a cadelinha, imóvel, no chão, já com a cabeça e as orelhas baixas, o corpo curvado, quase rastejando.
Eu não queria... Eu nem sei por que fiz isso... Desculpa... Se ele pudesse me ouvir...
“Já pra casinha!”, o dono gritou, apontando o dedo
para a escada que dá acesso à área da piscina.
Passando colada ao sofá, Lena se arrastou pela sala
e para fora, o rabo entre as pernas, o tronco penso para baixo, a barriga quase
arrastando no piso de porcelana gelado que ela sempre tentava evitar.
Não tinha chegado nem ao terceiro degrau quando
escutou o barulho da porta fechando atrás de si, isolando-a da sala. Entrou no quartinho e deslizou para debaixo do cobertor quadriculado, sobre a
caminha acolchoada.
E agora, quanto tempo? Ah, o tempo... Os olhinhos quase fechavam. Sono...
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O estrondo da porta da rua se abrindo arrancou Lena do torpor. A Mama! Mama! Quanto tempo tinha dormido?
“Adivinha?”, diz o dono, antes mesmo de a mulher sentar-se no sofá.
“O quê?”, ela perguntou, colocando a bolsa sobre a
mesinha no centro da sala. “De novo?”
“Não falei pra você fechar a porta do corredor
quando sair?”, ele resmunga.
“Esqueci...”
No último degrau da escada, atrás da porta de vidro, Lena pode ver a dona se aproximando e começou a pular. Liberado o acesso, a salsicha correu para o meio da sala e deitou de barriga para cima.
“Ah, Lena...”, diz o dono, sem conseguir segurar o riso. A cachorrinha se contorcia no chão, caprichando no olhar de coitada.
“Tá bom, vem cá!”
No último degrau da escada, atrás da porta de vidro, Lena pode ver a dona se aproximando e começou a pular. Liberado o acesso, a salsicha correu para o meio da sala e deitou de barriga para cima.
“Ah, Lena...”, diz o dono, sem conseguir segurar o riso. A cachorrinha se contorcia no chão, caprichando no olhar de coitada.
“Tá bom, vem cá!”
Baleia saltou de imediato para o sofá, lambendo
repetidamente as mãos do dono, que sorria, condescendente.
“É por isso que ela nunca aprende!”, reclama Fabi.
Explicação
“É por isso que ela nunca aprende!”, reclama Fabi.
Explicação
Não,
não é todo dia que a Baleia faz isso. Mas se chegamos em casa e saímos pouco
tempo depois, deixando ela sozinha, é certo que vai acontecer.
Às
vezes espalha o lixo de um dos banheiros, às vezes até dos dois - sempre com
delicadeza, sem derrubar o cesto. Mesmo baixinha como ela é, só destampa e
retira cuidadosamente o que tem lá dentro.
É a pequena vingança de Lena.
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