“De novo, Baleia!”
O grito era quase sempre esse.
O que será que tinha feito? Nunca fazia nada... A
cadelinha olhava com ar de abandono nos olhinhos negros.
“Ah, não aguento mais limpar xixi!”, a dona bufava.
“Já falei pra você que não adianta só dar
bronca...”, Lúcio tentava explicar, recolhendo a filhote de pouco mais de
quatro meses e levando-a para a sacada, onde ficava a pequena churrasqueira do
apartamento, de frente para a Avenida Beira-Rio, depositando-a sobre o quadrado
de jornal preso por dois pedaços de granito. “Assim ela só entende que fez
alguma coisa errada, mas não aprende o certo.”
Semanas mais tarde, depois de fazer um xixi sobre o
jornal – por acaso, só tinha saído para a sacada para investigar um latido
estranho e a vontade veio -, a satisfação! Baleia não entendeu bem logo de cara,
mas o sabor daquele bifinho seco era muito melhor que o da ração.
“Viva, Lena!”, ouviu o dono comemorar, erguendo-a no
ar, os olhos arregalados de susto e excitação, surpreendida pela reação
inesperada e ainda mastigando os últimos pedaços do prêmio.
“Viu, é assim que ela aprende!”, Lúcio se exibiu,
provocando a mulher com um ar de superioridade indisfarçável.
“Ah, é?”, Fabiana duvidou. “Vamos ver se ela
aprendeu mesmo...”
Agora, em vez de se esconder debaixo das cobertas ao
ouvir o barulho dos donos à porta, Baleia esperava saltitando na entrada do
apartamento, antecipando o sabor do bifinho. E, não muito tempo depois de um
dos dois chegar, a salsichinha saia à sacada, se agachava na posição clássica e
invariavelmente garantia um segundo prêmio.
Mesmo ao chegar de um passeio na rua, após marcar o
que ela achava ser seu território com inúmeros xixis, a primeira coisa que Lena
fazia ao entrar no apartamento era se abaixar sobre o quadrado de jornal do
lado de lá da porta de vidro que separava a sacada da sala e voltar saltitante,
exigindo a recompensa.
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| Baleia e Fabi |
Sem nem disfarçar, a salsicha tinha acabado de
agachar sobre o jornal, na frente da dona, e ao se levantar o papel estava
seco. Já do lado de lá da porta de vidro, na sala, a filhote saltitava, à
espera do bifinho.
Daquele dia em diante não bastava mais ver a
salsicha sair para a sacada, cumprir o ritual do agachamento e voltar ofegante para
a sala: a recompensa só era entregue após a observação da prova molhada.
Essa foi a primeira
trapaça de Lena.

Que saudades de quando ela era essa gorduchinha!!
ResponderExcluirEla era muito lindinha, quando pequeninha!!!
ResponderExcluirhahahaha que espertinha!!!!
ResponderExcluirquando você falou em posição clássica de fazer xixi eu lembrei das minhas duas!! hahahahahaha